Otaku Gakuen

vamos falar um pouco sobre akihabara

Publicado por: sh1nob1 em: Agosto 25, 2008

秋葉原 (Akihabara)

Ando vendo vários animes onde os personagens vão para Akihabara, mostram e citam algumas das lojas que tem por lá e isso me deixa um pouco com saudades. Um bom exemplo seria o anime Nogizaka Haruka no Himitsu, cuja protagonista é uma amante dos produtos vendidos em Akihabara.
Para matar um pouco a saudade e seguir a regra “em blog de otaku, é preciso falar de Akihabara”, eu falarei sobre o que vi por lá até meiados de 2006, durante cerca de 6 anos. Comecei a escrever isto sem saber bem qual seria o formato, o foco, se seria algo como um guia para se andar em Akihabara ou um comentário de centenas de linhas. Pelo jeito vai acabar sendo a segunda opção, já que eu mesmo não entrei em todas as lojas que apareceram no caminho, então não posso escrever um guia sem eu mesmo saber de detalhes suficientes. Bem, no final todos (inclusive eu) saberemos o resultado.

A saída da estação de Akihabara fica à direita. É normal ver essas moças vestidas de “Maid” entregando pacotes com lenços de papel e folhetos de eventos ou anúncios de produtos diversos. Ao saír da estação, seguindo em frente sairemos na avenida principal onde fica a maior parte das lojas de Akihabara. Costuma-se chamar uma vasta área como sendo “Akihabara”, mas na verdade Akihabara é apenas uma pequena área em volta da estação, o resto faz parte da cidade de Chiyoda, uma das 23 áreas especiais divididas em Tóquio, que por sua vez abrange os bairros Soto Kanda, Kanda Sakuma, Kanda Hanaoka e  uma parte de outra área especial, Daitou.

Saída da estação vista de frente, seguindo para a esquerda veremos a visão da foto anterior.

É assim a cara de Akihabara em feriados como o de maio, agosto e fim de ano.

A saída da estação está à direita.

Chegando pelo metrô, antes de descermos, no começo das escadarias para ir em direção à saída, lêmos uma plaquinha na parte de cima:“Saída para a Cidade Eletrônica”. Acho que é uma plaquinha bem discreta para um lugar tão cultuado por muitas pessoas ao redor do mundo. Ao sair da estação, a impressão não é de um lugar moderno, como deveria se esperar, ainda que não seja o meio de Akihabara, parece mais que estamos na saída errada, com uma cara de “saída dos fundos”, pelo menos foi o que eu senti. Andando alguns metros, nós já podemos ver que é um lugar cheio de poluição audio e visual, com cartazes e auto-falantes fazendo anúncios por todos os lados, bancas com um monte de coisas nas calçadas, pessoas por toda parte. Mas, passados os primeiros instantes, até conseguimos ver harmonia no meio daquele caos, começamos então a entrar no ritmo desse lugar.

A placa luminosa que indica a saída para a cidade eletrônica, escrita em japonês, inglês, chinês e coreano

Na foto podemos ter uma idéia de como é Akihabara e sua poluição visual. Tudo é muito colorido, cheio de cartazes de anúncios, placas, televisores e auto-falantes anunciando de tudo.

O interessante em Akihabara não é comprar aparelhos de última geração, isso no Japão não é difícil de se achar em qualquer lugar, o legal é procurar por “tesouros” escondidos: jogos, aparelhos eletrônicos antigos, cards, coleções de qualquer espécie e coisas do tipo. Para os otakus mais hardcores lá se encontra lojas que vendem produtos “originais”- produtos que não se acha em outro lugar além de filiais dessas mesmas lojas – , como a Gamers, Toranoana e Animate, entre outras, apenas para citar as mais “óbvias”. Há posters, xícaras, canecas, pastas, camisetas com estampas de vários personagens de animes e games, uma montanha de quinquilharias que fazem a felicidade de qualquer otaku.

Não chega a ser um achado nem um tesouro, mas os fãs de MSX devem chorar em ver  algo assim. Mesmo que não esteja funcionando, serve como doador de peças, na foto diz custar cerca de 17 reais.
Há várias lojas de produtos usados, espalhadas pela região. Alguns dos principais produtos dessas lojas são games, DVDs, peças para PC e CDs. Em algumas lojas há coisas interessantes como cartuchos de nintendinho e cards custando mais de 1000 dólares, há notícias de um jogo de Nintendinho que chegou ao absurdo de custar quase 6000 dólares, mas claro que poucas pessoas tem coragem (e cacife) para comprar tais coisas. Para as pessoas normais, ou melhor, para os gamemaníacos mais moderados economicamente, a alegria é a facilidade de encontrar uma vasta variedade de jogos e consoles de gerações passadas. Há SNEs, Mega-drives, Nintendinhos, Neo Geos e seus respectivos jogos em quase todas as lojas de games que vendam produtos usados, muitas vezes por preços muito amigáveis. Mas há uma espécie de “bolsa de valores” que interfere nos preços desses jogos, que dependendo da procura por determinado jogo ou console, a tendência geral é aumentarem os preços. Basicamente os jogos de RPG são os mais valorizados, seguido dos jogos de “naves”, esses normalmente são os mais caros.
Os jogos e consoles mais antigos sobrevivem até hoje porque a fascinação de muitas pessoas por jogos retrôs nunca desaparece, sempre há velhos e novos jogadores que se interessam pelos jogos em que se pode contar os píxels usados em cada personagem.

Na foto, na parte inferior vemos o jogo de nintendinho “Obake no Q-tarou” que custa 312900 ienes, ou cerca de  5050 reais. A razão de ser tão caro é que, como os outros ao lado, os cartuchos são pintados de cores especiais, prata ou dourado, e não são produtos que foram vendidos, foram distribuídos por sorteios promocionais na época de seu lançamento. Só com isso um jogo qualquer pode chegar a preços altos, mas nem tanto. Só chegam a preços extratosféricos, como o exemplo acima, por vários outros motivos que vão se acumulando, como o cancelamento do lançamento do jogo, algo de diferente somente no jogo sorteado, e principalmente o número total de cartuchos distribuídos. Um detalhe a mais serve para acumular mais zeros no valor.

Claro que o Atari não podia ficar de fora entre os tesouros que se pode encontrar.

Pena que não é possível ver o preço dele.

Outros “tesouros” que se pode encontrar. Esses mini-games são bem valorizados em qualquer loja, podemos ver ali o jogo do Popeye por cerca de 530 reais, abaixo um jogo do Snoopy pelo mesmo valor.

Outros tesouros que se acha por lá. Na parte superior, um pouco à direita vemos um caminhão de brinquedo por singelos 1200 reais. Espalhados por todos os lados vemos preços por volta dos 350 reais.Comprar tesouros não é fácil mesmo…

Percorrendo algumas lojas, percebemos que há um espaço um pouco diferente, são mostruários, normalmente quadriculares que são alugados por mês por qualquer pessoa, para que se possa vender qualquer produto pessoal. Como estamos em Akihabara, é meio lógico que possíveis compradores não faltarão.


Pelas fotos podemos ter uma idéia de como são esses mostruários, que lá chamam de “Show Case”. O preço do aluguél varia de acordo com a altura em que fica o mostruário. Por exemplo, há 5 desses quadrádos, marcados como A,B,C,D e E. O de letra A é o da parte mais alta, e o de letra E, o mais perto do chão. Os que ficam mais próximos da altura dos olhos das pessoas, que são os de letra B e C, são os mais caros. De acordo com a tabela de uma dessas lojas, o valor seria:

A 3,980 ienes  cerca de 65 reais
B 5,900 ienes  cerca de 95 reais
C 5,400 ienes  cerca de 87 reais
D 4,500 ienes  cerca de 72 reais
E 2,980 ienes  cerca de 48 reais

Não é barato, mas é um modo para conseguir vender qualquer coisa em um lugar bem movimentado, além do que, claro, o valor é dado por quem aluga o espaço, muitas vezes se consegue um preço bem melhor do que vender para alguma loja, que normalmente não paga um preço muito justo. A loja então fica responsável pelas vendas, como se fosse parte de seus próprios produtos, e a quem aluga, basta apenas voltar para receber o dinheiro caso algo seja vendido e pode ir reabastecendo seu espaço com mais produtos, enquanto o tempo de aluguél durar.
A verdade é que a maioria das lojas oferece show cases bem mais simples, feitos de armações de metal entrelaçado e sem proteções de vidro, com certeza os preços de aluguél são mais baixos, mas não muito longe desses preços da lista acima.

Show cases de outra loja, todos esses produtos são de pessoas que vieram para alugar o (pequeno) espaço.

Akihabara vive se transformando, de certa forma isso é bom, com a construção de várias grandes lojas, mas ao mesmo tempo é triste. É constante o aparecimento e desaparecimento de pequenas lojas. Como uma loja que eu sempre ia, se chamava Dynamic Audio, na verdade ainda há várias lojas desse grupo, mas justamente a que eu frequentava para compras de DVDs, fechou. Tinha um desconto de 20% em média por cada DVD, normalmente a maioria das lojas só oferecem 5% de desconto, que é justamente o valor do imposto sobre todos os produtos comercializados em todo o Japão, o sentimento de economia é meio fraco assim. Por isso, até então era o lugar mais em conta para comprar DVDs novos. Apesar de não ser tão grande em espaço, tinha uns 4 andares, e cada andar vendia DVDs de categorias distintas, como filmes, musicais, animes, importados. É uma pena que tenha fechado, mas, por sorte DVDs são coisas abundantes por lá, ainda bem.
Há outra loja que parece que fez uma fusão com outra grande rede de lojas no começo de 2006, foi a Liberty, que se afiliou com a rede de locadoras Tsutaya, uma das maiores no Japão, com mais de 1300 filiais espalhadas por todo o Japão. Como a Tsutaya, além de alugar DVDs e CDs, também trabalha com compra e venda de produtos usados, não deve ter mudado tanto o conteúdo da antiga Liberty, mas depois da mudança eu não entrei mais nessa loja, portanto não sei dizer o que aconteceu realmente.

A Liberty era assim antes de se tornar filial da Tsutaya. Os dois prédios eram abarrotados de CDs, DVDs, LDs, games e itens para a alegria de qualquer otaku.

Outra coisa a lembrar é que há pouco espaço nas lojas, não cabem muitos produtos. Então muitas têm várias “irmãs” da mesma rede espalhadas pela região, normalmente cada uma delas vendem produtos diferentes das outras, uma apenas vende peças para computador, outra CDs e DVDs, outra apenas jogos, outra apenas para a compra de produtos usados e outra especializada em hobbys em geral. Por isso não estranhe ver lojas com o mesmo nome por todos os lados, todas tem uma distinção como “loja 1″, “loja 2″ e por aí vai. Também é comum ter a loja principal, onde juntam quase todos os produtos nela, mas de qualquer forma os preços também variam entre essas lojas irmãs.

Lembro que algumas pessoas me perguntam se Akihabara lembra algo parecido no Brasil, como a Rua Santa Ifigênia, em São Paulo. Desde sempre, para os paulistanos, a Sta Ifigênia é o lugar onde procurar qualquer coisa relacionada a produtos eletrônicos com preços mais em conta, além de ter uma maior gama de escolhas, mesmo que a procedência desses produtos seja de lugares ignorados.
Bem, para inicio de comparação, o nível de qualidade dos produtos em Akihabara está em um patamar bem mais elevado, claro, isso fica claro principalmente para as pessoas que estão sempre antenadas com as novidades em acessórios e hardware para PCs. Mas em contradição com a qualidade dos produtos, as lojas são até bem parecidas com as que vemos em São Paulo. Em sua maioria tem um acabamento bem rústico, alguns com pisos…ou melhor, pedaços de pisos intercalados por um chão de cimento nú. Ou então é usado um carpete de última categoria, que provavelmente está ali para cobrir algo pior. Mas estou falando das pequenas lojas, apesar de algumas serem bem tradicionais, como a Faith e a Tsukumo. E por falar nisso, esse é outro ponto que merece citação: a maioria das lojas são minúsculas. Algumas parecem ser apenas corredores mais largos que o normal, onde mesmo durante a semana, ou seja, os dias de menos movimento, muitas pessoas se acotovelam para poder passar e para ver os produtos.
Aproveitando, vou entrar em um outro tema, mesmo estando em Akihabara, é necessário fazer uma boa pesquisa de preços, percorrer todas as lojas que for possível, dependendo do que procura para comprar. E os lugares mais prováveis para se encontrar certos produtos com os melhores preços é justamente nessas pequenas e estreitas lojas. E como devem saber, pela lógica do sistema urbano, se não há espaço para os lados, a saída é subir. E isso é o que mais acontece, há lojas de, digamos, 5m x 5m de tamanho, mas com fantásticos 5 andares abarrotado de maravilhas da eletrônica, informática ou itens para otakus em geral. É cansativo, mas ao mesmo tempo divertido percorrer várias lojas, subindo e descendo escadarias, pois nunca deixamos de ver algo interessante no caminho. Algumas lojas são mais hospitaleiras e temos então a chance de poupar esforço usando escadas rolantes e elevadores, mas se conseguir entrar nesse último. Quanto às escadas rolantes, não é raro ter escadas rolantes apenas para subir, para descer deve escolher as escadarias normais ou o elevador.

A rotatividade dos produtos em Akihabara, como é de se esperar, é muito rápida. Toda vez que ia lá eu olhava todas as lojas que mais gostava, pois sempre tinha algo novo exposto. Mas também é bom estar pronto para comprar algo que realmente se quer e seja difícil de achar. A chance de ficar sem, de alguém comprar antes de você, é uma situação a se levar em conta.
Certa vez, em que eu percorri algumas lojas e vi algo que queria em uma das primeiras que olhei, saí para olhar o preço em outras lojas, umas 3, 4 outras, mas nem sequer achei o produto. Em questão de 1 hora depois, ao voltar à loja que eu havia visto o tal produto, já haviam vendido… levando em conta disso, há excessões a abrir quanto à pesquisa detalhada de preços pelas lojas, há vezes que devemos colocar na balança e ver se é o preço ou o produto que pesa mais na decisão da compra.

Nas três fotos vemos as lojas Animate, Tora no Ana e Gamers, famosas por oferecer alguns produtos diferentes e variados.

11 Respostas para "vamos falar um pouco sobre akihabara"

Jesuuuuuuuuuuuuusssssssss!

Desnecessario dizer a minha grande vontade de ir para Akiba

=\

um dia eu sei que terei essa chance :D

Belo post Shinobi :)

Interessante esse sistema de alugar vitrine.
E realmente, o contraste entre Akiba cheia e Akiba vazia é brutal. Pois é, o Japão é tão pequeno para tanta gente, daí tem o problema da distribuição espacial. Mas deve ser mesmo divertido rodar 5 andares cheios de microlojas entupidas de DVDs, jogos e outras pérolas que você nem imaginava que ainda existiam.

PS: Faltou os dakimakuras ;x

Não me esquecerei de passar lá na minha proxima visita ao Japão (e primeira tb XD)

Ahh, Akihabara. A “Meca” dos otakus. Todos devem visitá-la ao menos uma vez na vida =D

Gostei do post. Na verdade gosto de informações sobre o Japão assim, coisas do dia-a-dia. Coisas que fogem do que normalmente se vê nos guias turísticos (contruções históricas, melhor restaurante para comer, melhor hotel, etc).

Na verdade gostaria de saber o que é mito ou verdade sobre o cotidiano japonês (tá aí uma sugestão para um próximo post), já que boa parte do que conhecemos sobre o Japão vem dos animes.

Ainda tem mais coisas que quero escrever sobre Akiba, faltou uns detalhes mesmo.
Como o que o Demitron escreveu:
“PS: Faltou os dakimakuras ;x”

milkaum, se puder me listar algumas curiosidades a respeito do que viu em animes, seria de grande ajuda para poder te responder, mas te adianto que boa parte do que vê nos animes é coisa real. Os móveis, casas, ruas, objetos normalmente são baseados em coisas reais.

Por exemplo…
E… os peitos?!(vide: maioria dos anime)
Realmente no babinha de rua lá, os caras chutam a bola na trave quantas vezes quizerem, e ainda fazer gols de bicicleta a todo momento?(vide: Capitan Tsubasa)
As casas são grandes em sua maioria?(vide: maioria dos animes)
Todas as escolas usam aquelas fardas fechadas e formais a maioria do tempo?

Bom, vou me reter a responder algumas perguntas apenas:

Dependendo da região as casas são grandes sim, principalmente as de agricultores, apenas nos centros se encontra apenas “apertamentos”.
As escolas de ensino médio normalmente adotam sim aquelas “fardas” quase sempre pretas e de gola alta, as meninas usam um uniforme meio parecido com os de animes, mas a saia é mais comprida, caso veja fotos de estudantes de saias curtas é porque elas dobram a parte de cima, na parte da cintura, mas chegando na escola sempre há alguém olhando se alguma delas está com a saia muito curta ou com o uniforme desarrumado e chama a atenção do(a) aluno(a). Mas há certas regras que são duras demais, pelo que sei a saia é obrigatória, mas ouvi dizer que não se pode usar meia-calça nem no inverno.

Shinobi será que rola reportagem sobre Shibuya e Kyoto? Depois de Akibahara esses são dois lugares que eu gostaria de visitar um dia.

Bom, Shibuya eu só fui uma vez e só dei uma volta por lá, Kyoto eu só fui até lá porque dormi no trem-bala e passei a estação que eu ia descer kakakaka.

Então acho difícil eu fazer algo só por pesquisas =/

Legal suas fotos.
Dá pra tirar fotos com as maids?

*me arrependo de naum ter ido trabalhr no japão com minhas primas em 2004… ç.ç

Ah, as fotos não são minhas, eu peguei umas do meu irmão, que está no Japão ainda, e que achei na net. Não foi difícil de usá-las porque eu já conheço bem o lugar XD

Mas a verdade é que não se deve tirar fotos a toa das maids ou qualquer pessoa que esteja trabalhando, provavelmente ficarão bravos. Peça se pode tirar fotos. Também é normal dizerem não, já que deve ter muita gente pedindo, vai na sorte.

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